Minhas quintas-feiras, até novembro, são passadas na Biblioteca Pública Érico Veríssimo, lá na Cohab Taipas.
Lá, pela manhã sou a "professora" (mais aprendiz do que qualquer coisa) de um grupo de senhoras muito ativas e que já se reúnem lá há praticamente dois anos. Fazemos atividades corporais - às vezes Lian Gong, às vezes posturas de Yoga, às vezes meditação -, brincadeiras como o Nó Humano e atividades que exercitam a nossa memória e a livre associação de ideias e palavras, tomamos café e bolo e, principalmente, ouvimos e compartilhamos histórias dessas mulheres que já viveram tanta coisa e têm tantos mundos femininos a nos desvelar.
Cada uma com suas vivências, cada uma com seus dons, umas mais faladeiras, outras menos, umas mais risonhas que outras, mas todas muito felizes e animadas de se encontrar ali, naquele local, saindo de suas casas para trocar experiências e ser e se sentir respeitadas. Eu olho para elas e sempre tenho a certeza de que é assim que quero ficar quando envelhecer. Ativa, sorridente, envolvida, engajada com o mundo, espantando a tristeza. Sei que muitas ali chegaram e estavam depressivas, a maioria cheia de dores no corpo e problemas mais sérios de saúde, quando o grupo se formou, lá atrás. E hoje a gente nem consegue imaginar isso, porque as vê sempre tão felizes e envolvidas que é uma alegria imensa e contagiante.
Tem sido um trabalho que me faz pensar na teia que se forma entre as gerações de mulheres - e em como é importante que essa teia continue a se formar, como sempre foi, no passado, e como nosso mundo tende a impedir e a desvalorizar. Em como somos fortes, como aguentamos tanta coisa e as suplantamos, passamos por cima, através, fazemos a travessia e continuamos sorrindo, mesmo depois das muitas perdas que já vivemos, a começar pelas limitações que o corpo que envelhece traz.
Depois, à tarde, é a orientação dos jovens do Programa Vocacional, em nosso trabalho de desbloqueio da escrita, que vem sendo muito bacana, para cada um ir encontrando sua própria voz, descobrindo sobre o que quer escrever e ir construindo seus textos em diálogos múltiplos, além da pesquisa que estamos iniciando sobre o escritor que, afinal, dá nome à biblioteca, o querido Erico.
E tudo com a generosidade dos funcionários da BP, desde a coordenadora, Patrícia, até todos eles, a monitora Thayná, a bibliotecária Denise, e os funcionários Cida, Ivany, Zé, Luís, Jurema, Priscila, Débora. Cada um colabora do seu modo e todos estão envolvidos com o trabalho, coisa incrível de ver e sentir.


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